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26.11.04


O que se faz quando todo o Mundo nos odeia?
O que se faz quando tudo o que devia ser um ventre de renascimento se aperta, engolindo-nos num Nada indescritivel?
Sei que as lagrimas que trilham sulcos profundos como as chagas que me infligiram sao reais, porque queimam, corrosivas como devia ser a verdade para os ouvidos impuros da perfidia e do logro.
Sei que o seu sal e apenas o sal da vida, um condimento de dor, resgatado aos mares placidos de apenas pequenos instantes de existencia sem qualquer sobressalto. Nao e inequivoco quem nos ama ou odeia; e simplesmente uma premonicao, um caminhar cego rumo a qualquer coisa, de bracos estendidos, mendigando carinho e compreensao. E como navegar de peito cheio, mas de coracao vazio: um dia as ondas da esperanca que nos guiam serao as mesmas que nos engolem, que nos submergem num azul escuro e profundo de choque, raiva e desilusao.
Se em quinze dias, quinze sao de palavrear belico, de um linguajar ostensivamente ofensivo e ofensivamente ostensivo, o que esperar de um decimo sexto dia?
Um passo mais no que se torna uma rotina?
Um crescendo como que anunciando um final?
Uma quebra contra a corrente?
Por vezes, nao existe decimo sexto dia. Por vezes, por mais que se diga que o Tempo e infinito, os dias fenecem. O Tempo e, de facto, infinito, mas nos, carne e sangue sobre as quais paira o espectro de uma Morte adiada, nao.
Sinceramente hoje pedi a nao sei quantas entidades que nao houvesse um amanha, pedi-o entre a esperanca de uma paz eterna e o coracao apertado por pensar numa so pessoa, naquela que porventura e quem mais me e querida. Secretamente, no silencio do meu coracao pedi-lhe que me perdoasse, mas nao lhe pedi que compreendesse. Nao se compreende algo assim. Nao se compreende o que leva alguem a abrir mao do seu bem primeiro e ultimo.
A Vida devia, em teoria, ser algo tao valioso que nunca fosse passivel de se abdicar dela, assim, voluntariamente e quase com um sorriso nos labios. Mas a alma humana, ja sofreu por demais as agruras do destino, e o desepero e como um beijo impio. Arde. Sangra. E o animo morre...
Tambem tenho dias assim, em que a ideia de Fim e, contrariamente ao que e regra, consoladora.
Quando se luta contra tudo e apenas em favor de uma causa, mesmo toda a conviccao posta nesta ultima se ve enfraquecida.
Por ora, a minha subsiste, ainda capaz de rebater algumas investidas. Talvez so ate um dia, em que o beijo da Terra sera o ultimo.


postado por borboleta_azul as 1:41 PM
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